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O papel das populações indígenas na preservação da amazônia – reconhecimento e soluções na cop 30

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Com a proximidade da COP 30, que será realizada em Belém (PA) em novembro de 2025, cresce a expectativa de que as populações indígenas da Amazônia finalmente recebam o reconhecimento global como protagonistas na preservação do bioma. Com saberes ancestrais, modos de vida sustentáveis e forte relação espiritual e cultural com a terra, os povos indígenas desempenham um papel fundamental na proteção da biodiversidade e no combate ao desmatamento.

De acordo com o Instituto Socioambiental (ISA), as Terras Indígenas (TIs) ocupam cerca de 23% da Amazônia Legal e representam algumas das áreas mais bem conservadas de toda a floresta. Enquanto áreas públicas e privadas sofrem com o avanço do desmatamento, as TIs registram taxas próximas de zero, mesmo diante de pressões externas como garimpo ilegal, invasões e grilagem.

A floresta está em pé onde há povos indígenas

Estudos do MapBiomas (2023) mostram que apenas 1,6% do desmatamento ocorrido na Amazônia entre 2019 e 2022 aconteceu dentro de Terras Indígenas — um número expressivamente inferior ao registrado em outras categorias fundiárias. Já segundo dados do Relatório Planeta Vivo (WWF, 2022), 80% da biodiversidade remanescente no mundo está em terras ocupadas por povos indígenas.

Além disso:

-Existem cerca de 180 povos indígenas na Amazônia brasileira, falantes de mais de 150 línguas;

-Mais de 400 mil indígenas vivem na região amazônica, segundo o Censo 2022 (IBGE);

-As TIs desempenham papel crucial na estocagem de carbono: um estudo do PNAS (2021) aponta que essas terras armazenam mais de 56 bilhões de toneladas de CO? equivalente.


Esses dados evidenciam que os territórios indígenas são barreiras naturais contra a destruição da floresta e que a preservação da Amazônia está diretamente ligada à garantia dos direitos dos povos originários.

COP 30: uma oportunidade histórica de reconhecimento e protagonismo

A realização da COP 30 na Amazônia é uma oportunidade única para que os povos indígenas estejam no centro das discussões sobre clima, conservação e justiça ambiental. Entre as principais demandas das lideranças indígenas para a conferência, destacam-se:

-Reconhecimento oficial dos povos indígenas como agentes-chave na luta contra as mudanças climáticas;

-Ampliação da demarcação e proteção efetiva de Terras Indígenas;

-Combate à mineração ilegal, grilagem e invasões em territórios indígenas;

-Acesso direto a financiamentos climáticos internacionais, como o Fundo Amazônia e o Fundo Verde para o Clima, para projetos de gestão territorial e sustentabilidade;

-Inclusão permanente das lideranças indígenas nas mesas de negociação climática internacional, com direito à voz e voto nos principais fóruns.


O Brasil já conta com a criação do Ministério dos Povos Indígenas (2023) e a reativação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI). A expectativa é que a COP 30 fortaleça essas iniciativas com respaldo internacional, tornando-as parte de um pacto global pela floresta e pelos povos que nela vivem.

Conhecimento tradicional e soluções locais para desafios globais

Os saberes tradicionais indígenas representam soluções práticas e resilientes para o enfrentamento da crise climática. Sistemas agrícolas de base florestal, manejo sustentável da fauna e flora, uso de plantas medicinais, construção de moradias com materiais naturais e gestão comunitária dos recursos são práticas milenares que dialogam com os princípios da bioeconomia, da agroecologia e da restauração ecológica.

Reconhecer esses conhecimentos não é apenas um ato de justiça — é uma estratégia de sobrevivência diante do colapso ambiental. A declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas (2007) estabelece que os estados devem consultar os povos indígenas antes de adotar medidas que os afetem, algo que se espera ver plenamente respeitado nas negociações da COP 30.

HIDROSAM apoia o protagonismo indígena na defesa da Amazônia

Com atuação consolidada na região amazônica e sede no estado do Pará, a HIDROSAM reconhece a importância das populações indígenas na proteção dos ecossistemas. Nosso trabalho é guiado pelo respeito ao meio ambiente, à diversidade cultural e aos direitos humanos, buscando soluções de engenharia ambiental que valorizem o conhecimento local e respeitem os territórios tradicionais.

Acreditamos que a COP 30 será um divisor de águas para a preservação da Amazônia, e que nenhuma política climática será eficaz sem a inclusão real e ativa dos povos indígenas.

Autor: Assessoria de Comunicação..
Fonte: Hidrosam.