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Esgoto nas praias: um problema que não atinge somente os banhistas

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O descarte inadequado do esgoto é um problema que afeta toda a sociedade. Quando fazemos um recorte para a falta de infraestrutura desse serviço nas praias, o assunto fica ainda mais sério. Isso porque esse é um problema que não afeta apenas os banhistas, mas impacta diversos setores.

Por isso, independente de onde você more, na serra ou em áreas litorâneas, é importante ficar de olho na questão do esgoto e cumprir o seu papel na preservação do meio ambiente. Afinal, no Brasil, foram lançadas aproximadamente 5.622 piscinas olímpicas de esgoto não tratado na natureza só em 2017.

Interessou-se pelo assunto e quer saber mais? Então, continue lendo e confira quais são os impactos do descarte inadequado de esgoto nas praias!

Os impactos do descarte incorreto de esgoto
A falta de saneamento básico – serviço que inclui o tratamento e descarte correto dos esgotos – é uma das principais causas do surgimento de doenças em bairros e cidades em que os dejetos não são eliminados de forma adequada.

Os esgotos a céu aberto, por exemplo, tornam-se um atrativo para vetores de transmissão de doenças, como o Aedes aegypti e os ratos.

É importante lembrar que, apesar de o problema do descarte incorreto ser maior nas áreas mais carentes, outros pontos das cidades também podem ser afetados. Esse quadro ainda é agravado quando não é feita a coleta e destinação do lixo de maneira adequada ou quando não há acesso ao serviço de abastecimento de água tratada.

Em suma, quando há o descarte incorreto do esgoto, problemas como a contaminação da água, alterações no solo e o surgimento de doenças respiratórias se tornam mais comuns.

O descarte de esgoto nas praias
Trazendo essa realidade para as regiões litorâneas, o cenário não é muito diferente do que é vivenciado nos centros urbanos. O descarte de esgoto nas praias é bastante comum e gera problemas para os moradores locais e para os turistas que visitam a região, principalmente nos meses quentes de verão.

Uma pesquisa realizada na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo indicou que o sistema mais viável a fim de evitar o despejo de esgotos em condições inadequadas nas praias é o modelo conhecido como primário avançado.

Nesse método de tratamento, os sólidos maiores são removidos dos esgotos e, na sequência, são aplicados produtos químicos que ajudam na remoção de outros elementos que ainda estejam suspensos, como o fósforo. É importante destacar que pesquisas como essas devem ser incentivadas, para que novas técnicas e tecnologias sejam desenvolvidas a fim de expandir o tratamento de esgoto e diminuir o descarte incorreto.

Além disso, a população precisa se conscientizar sobre a importância da sua atuação e do seu papel, se conectando às redes de esgoto quando disponíveis na região onde vivem ou veraneiam e fiscalizando o descarte irregular de esgoto nas águas dos mares e dos rios.

Podemos citar o exemplo da ação feita pelos moradores de São Francisco do Sul, no Norte catarinense, que se mobilizaram e instalaram placas nas saídas de dejetos que são lançados irregularmente no mar.

O objetivo das placas foi o de alertar os visitantes para que tomem cuidado no local, assim como de cobrar as medidas cabíveis das autoridades municipais que, além de investir mais em saneamento, devem buscar eliminar ligações irregulares de esgoto na região.

Os impactos do descarte de esgoto nas praias
O descarte de esgoto nas praias causa diversos impactos negativos. A seguir, listamos os seis principais, separados em três categorias: para o meio ambiente, para a população e para a sociedade. Acompanhe!

Para o meio ambiente

- Poluição dos mares
O descarte de esgoto nas praias faz com que os mares sejam poluídos, afetando a biodiversidade, bem como colocando em risco a vida de animais marinhos, algas e outras espécies que vivem nas águas.

- Eutrofização
É chamada de eutrofização o processo de decomposição de itens orgânicos, oriundos dos esgotos, dentro da água. Esses compostos, quando começam a se decompor, produzem nutrientes que fazem com que as algas superficiais se multipliquem de forma exagerada, bloqueando a luz solar que penetra nas águas e, como consequência, diminuindo os níveis de oxigênio do mar.

Para a população

- Proliferação de doenças
Os esgotos a céu aberto nas praias contribuem para que vírus, bactérias, fungos e outros micro-organismos se desenvolvam na água e na areia. Isso faz com que a população seja mais facilmente contaminada e desenvolva doenças, como disenteria, infecções de pele, entre outras.

- Odores no ambiente
O descarte incorreto de esgoto nas praias faz com que odores desagradáveis surjam nos arredores. Assim, a população que circula no entorno precisa conviver com o mau cheiro.

Para a sociedade

- Turismo no litoral fica prejudicado
Sabemos que o setor turístico é um dos que mais movimentam as regiões litorâneas, uma vez que as pessoas que viajam para as praias acabam consumindo produtos e serviços locais. Logo, quando há problemas de saneamento básico em uma região, a procura dos turistas diminui, afetando diretamente a economia da região.
De acordo com um estudo do Instituto Trata Brasil em parceria com o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, oS ganhos em turismo para o país seriam de R$ 7 bilhões caso o saneamento básico fosse universalizado.

- Desastres ambientais
Os desastres ambientais não causam danos apenas para o meio ambiente, mas também para todos os seres vivos que nele habitam. Quando uma cidade é vítima desse tipo de tragédia, a rotina dos moradores é afetada, e eles encontram dificuldades para trabalhar, estudar e desenvolver as suas atividades de forma plena. Isso causa prejuízos sociais e até mesmo na saúde psicológica das pessoas.

O esgoto nas praias, portanto, é um problema que não atinge apenas os banhistas, mas principalmente o meio ambiente e a comunidade local.

Autor: Blog Brkambiental.
Fonte: Br Kambiental.