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Período de chuvas favorece o surgimento de algumas espécies de insetos e outros animais

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Além de alagamentos de ruas e calçadas e aumento de doenças causadas por bactérias e vírus, o período chuvoso também traz um outro risco: a proliferação de insetos e outros animais em zonas urbanas e periurbanas. O período de chuvas mais intensas é propício para a reprodução de insetos como cupins, formigas, grilos e baratas d’água, sendo também o principal fator para o aumento no aparecimento de algumas espécies de animais, sobretudo roedores e algumas serpentes.

Para falar sobre o assunto, a médica veterinária Ana Silvia Sardinha e a entomologista Telma Batista, ambas professoras na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), dão algumas informações importante para entender e prevenir esses “encontros”.

Serpentes e roedores
No caso das serpentes, o que ocorre é que, com a inundação da moradia desses animais, elas têm necessidade de realocar-se para lugares secos e que possibilitem a alimentação, segundo informa a professora Ana Silvia Sardinha. “O desmatamento e o período chuvoso provocam o alagamento dos seus habitats e favorecem o deslocamento dos animais, principalmente jiboias e sucuris, que vão em busca de abrigo e alimentos onde eles estiverem. Entre esses alimentos estão os roedores”. A reação acaba por ocorrer em cadeia. “Com o grande volume de chuvas inundando os esgotos e alagando várias regiões, os roedores fogem dos seus abrigos e entram nos imóveis, buscando um local seco e adequado para se abrigar. As serpentes vão atrás”, destaca.

A professora Ana Silvia esclarece que os riscos envolvendo roedores estão relacionados à transmissão de zoonoses – que são doenças e infecções transmitidas para humanos através de animais. Entre essas doenças está a leptospirose, que é uma doença infectocontagiosa que acomete roedores e outros mamíferos e também pode ser transmitida através do contato com a urina desses animais. “Segundo a literatura, a leptospira interrogans é eliminada junto com a urina e sobrevive no solo úmido ou na água, sendo mais fácil a contaminação no período mais chuvoso”, diz.

A médica veterinária reforça que, mesmo não parecendo, no caso das serpentes, especialmente sucuris e jiboias, quando ocorre o encontro com o homem, normalmente o perigo maior é para os animais. “Infelizmente os animais recebem pauladas, água quente e vários tipos de maus tratos. Caso o encontro ocorra, o indicado é isolar a área e evitar o contato com o animal, enquanto se espera a captura pelo Corpo de Bombeiros ou Batalhão de Polícia Ambiental”, orienta.

Para quem não conhece, o Corpo de Bombeiros pode ser chamado pelo número 193; o Batalhão de polícia ambiental através do 3276-5230 e o Centro de controle de Zoonozes através do 3344-2353 / 3274-9035.

Insetos
Especialista em entomologia, que é o estudo dos insetos, a professora Telma Batista diz que o período chuvoso é a época de reprodução de determinadas espécies de insetos. “Cupins, formigas e grilos fazem o acasalamento nesse período, por isso costumamos vê-los sempre ao redor das lâmpadas. As formigas e os grilos vivem no solo, mas como ele fica encharcado com as chuvas, esses insetos logicamente saem à procura de abrigo dentro das casas ou em outros locais secos. Algumas plantas que ficam no entorno da casa também podem se transformar em abrigos para insetos e facilitar a transição para dentro das residências”, explica.

A entomologista informa, ainda, que outro inseto que pode ser muito visto no período com incidência de chuva é a barata d’água, que vive, geralmente, em valas e esgotos. Além da fobia que algumas pessoas têm em relação a esses animais, há o risco de reações alérgicas e picadas doloridas, como é o caso da barata d’água, que não transmite nenhuma doença, mas cuja picada é considerada uma das mais dolorosas entre os insetos.

“As formigas podem transmitir doenças porque andam em cima de lixo e, aderidos às patas, podem trazer micro-organismos que transmitem doenças. Já os grilos, além do ruído, podem se alimentar de folhas de pequenos jardins e plantas em vaso. Não transmitem doenças, mas podem também andar no lixo e esgoto e levar nas patas bactérias que transmitem doenças”, esclarece a professora Telma Batista, informando também que deve-se tomar cuidado com os cupins, porque estes podem fazer ninhos no telhado, forros, armários, quadros e portas.

Cuidados
A principal providência para afastar os insetos quantos os animais que costumam aparecer em período chuvoso é manter a casa sempre limpa e higienizada. “O ideal é manter a residência e locais próximos sempre limpos; descartar lixo nos locais adequados; nunca despejar sacos de lixo em calçadas e nem antes da coleta”, informam as especialistas.

Na UFRA, por ser uma universidade Rural, é ainda mais comum encontrar certos tipos de animais. Para prevenir a comunidade acadêmica, a Prefeitura do Campus Belém lançou um alerta sobre os cuidados que devem ser tomados nesse período, quando aumenta a ocorrência de animais peçonhentos nas instalações da Universidade.

De acordo com o Prefeito da Ufra, o médico veterinário Heriberto Figueiredo, tem ocorrido um alto número de registros de aparecimento desses animais nos Campi, especialmente em Belém, e principalmente de serpentes. Ele alerta que as jararacas (Bothrops), gênero que engloba diversas espécies venenosas, são as mais encontradas no Campus, e também as que mais costumam causar acidentes em todo o Brasil.

“Os professores devem orientar os seus alunos a não entrar em locais com capim alto, não manipular lixo com as mãos descobertas e não usar sandálias abertas, especialmente em aulas práticas”, diz o Prefeito, que é médico veterinário. Ele explica que esse tipo de acidente costuma ocorrer mais nessa época pelo fato de algumas espécies procurarem se abrigar em local seco e mais quente.

O Prefeito adverte, ainda, sobre os procedimentos corretos, caso uma serpente ou outro animal peçonhento, como escorpião ou aranha, seja encontrado: “Em hipótese nenhuma se deve matar o animal, mas, sim, pedir ajuda”. Ele orienta alunos, servidores e funcionários do Campus Belém a procurar o Ambulatório de Animais Selvagens da Ufra, localizado ao lado do Hospital Veterinário, para a retirada do animal. Já nos demais Campi, a comunidade acadêmica deve procurar as autoridades competentes, como o Corpo de Bombeiros, ou mesmo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente. “Nós é que precisamos nos proteger desses animais porque nós é que estamos no ambiente deles, e não o contrário”, afirma.

Autor: Raíssa Lima e Jussara Kishi – Ascom Ufra Revisão: Vanessa Monteiro.
Fonte: https://bityli.com/kVolZw.