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Poço artesiano: desvendamos 7 dúvidas para você

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A principal finalidade de um poço artesiano é a captação da água armazenada nos lençóis freáticos. A sua perfuração não é tão simples, como possa parecer, e são muitas as dúvidas que surgem para quem precisa construir um poço artesiano ou fazer a sua manutenção.

A dúvida mais frequente diz respeito à diferença entre o poço artesiano, semi-artesiano e freático. O poço artesiano é aquele em que a água vinda dos lençóis freáticos jorra no solo naturalmente, já que sua própria pressão permite que ela seja transportada espontaneamente até a superfície sem desequilibrar o lençol subterrâneo. Esse tipo de poço é profundo, mas dispensa a instalação de bombas de pressão para levar a água até a superfície.

Já o poço semi-artesiano — que também tem grande profundidade — depende de um equipamento de bombeamento para pressionar a água e fazer com que ela chegue em determinado volume até o local da superfície que necessita de abastecimento.

Diferente dos dois anteriores, o poço freático, conhecido com poço caipira, cacimba ou cisterna, é raso e capta a água superficial do lençol freático, ou seja, na reserva mais próxima da superfície. Eles costumam ser perfurados em áreas rurais e em locais de acesso restrito a equipamentos.

Se você tem essa e outras questões incertas em relação a estrutura e a conservação de um poço, dê sequência a leitura que irá te ajudar a desvendar outros tantos questionamentos.

1. Qual bomba usar?
A maioria dos poços são semi-artesianos e usam as bombas submersas. Elas são instaladas dentro da lâmina de água do poço profundo e são bombas que apresentam grande eficiência. A principal função das bombas submersas é bombear e pressionar a água. Elas funcionam de maneira permanente dentro da água.

Já nos poços mais rasos, podem ser usadas as bombas centrífugas e a injetoras. A escolha do melhor tipo de bomba vai depender de vários fatores que precisam ser analisados, dentre eles: a tensão de alimentação que deverá ser aplicada, o diâmetro e a vazão do poço, a distância entre a saída do poço e o local onde a água precisa ser levada e o desnível do plano onde o poço foi construído em relação aos andares em que o abastecimento precisa ser feito.

2. Como eliminar o ferro acumulado no poço artesiano?
O maior volume de água subterrânea é de boa qualidade no que diz respeito às condições físicas, químicas e biológicas. Contudo, é possível encontrar ferro na água oriunda do poço artesiano. O ferro normalmente aparece como bicarbonato ferroso dissolvido na água e se deve principalmente às captações de poços artesianos em terrenos mais velhos ou localizados em baixadas.

Antes de tentar eliminar ou mesmo reduzir a quantidade de minério na água, é preciso avaliar o volume de água. O procedimento mais simples é a transformação em óxido férrico — material insolúvel —, que pode ocorrer por meio do uso de ar comprimido para retirar a água do poço artesiano. Se a água apresentar PH baixo, é preciso realizar a alcalinização. Nos casos de alta concentração de ferro e também de manganês, o procedimento mais indicado é a sedimentação. Há ainda a opção de aplicar carvão na água subterrânea ou mesmo realizar o processo eletrolítico, tratamentos que são mais caros.

3. A água do poço artesiano pode ser consumida?
De maneira geral, a água subterrânea apresenta características biológicas, físicas e químicas positivas e podem ser destinadas ao consumo humano. Contudo, é importante realizar testes de potabilidade antes do consumo, inclusive a análise bacteriológica, para que a água atenda aos padrões exigidos de acordo com a Portaria MS nº 1.469, de 29 de dezembro de 2000, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

4. Posso ter um poço artesiano em casa?
O poço artesiano pode ser construído em casa, condomínios ou espaços maiores que atendam uma comunidade maior. O ideal é que haja um espaço significativo para que caibam os equipamentos usados na perfuração e demais etapas da construção.

5. Quanto custa e quanto tempo leva para construir um poço?
O custo de instalação de um poço artesiano não é baixo. No entanto, o retorno desse investimento é significativo, principalmente considerando os benefícios a longo prazo.

Em períodos de seca, racionamento e alto consumo de água — verão —, os gastos com o consumo de água são menores, especialmente quando um mesmo poço atende a várias residências. Cerca de 90% dos poços artesianos localizados em Minas Gerais têm em média 100 metros de profundidade, e o gasto médio para construir um poço artesiano com essa característica é de R$ 30 mil.

6. Preciso de autorização para perfurar e construir?
É importante que o poço artesiano seja perfurado por máquinas e empresas especializadas e cadastradas no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA), bem como por profissionais técnicos como geólogos e engenheiros de minas que também tenham atestado certificado pelo órgão.

É necessária ainda a autorização fornecida por órgãos estaduais, gestores do recurso hídrico, com validade pré-determinada. Em Minas Gerais, essa outorga de direito de uso é concedida pelo Instituto Mineiro de Gestão de Águas (IGAM) — responsável pelas licenças — e a regularização ambiental de acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad).

Com essas autorizações em mãos e obedecendo essas certificações, qualquer pessoa pode ter um poço artesiano.

7. Como funciona a manutenção?
Se bem construído, operado e equipado, o poço semi-artesiano exige pouca manutenção. Mas é importante realizar a manutenção preventiva com uma frequência mínima de um e máxima de dois anos para que não haja comprometimento do seu funcionamento.

A manutenção preventiva envolve a revisão da bomba usada no poço, dos cabos, tubos e quadros de comando. A frequência da manutenção preventiva vai garantir maior vida útil do poço, bem como a qualidade do bombeamento e da água captada. A manutenção envolve ainda a avaliação dos equipamentos hidráulicos e elétricos do poço.


Autor: Aine Lourenço.
Fonte: Blog Paraíso das Bombas.