Últimas Notícias

Prefeitura promove segunda audiência pública sobre Plano de Saneamento

Foto de capa da notícia

A Prefeitura Municipal de Belém promoveu a segunda audiência pública relacionada à elaboração do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB). A programação foi realizada na noite desta segunda-feira, 3, no auditório José Mariano Klautau de Araújo, da Fundação Centro de Referência em Educação Ambiental Escola Bosque Professor Edorfe Moreira (Funbosque), localizada no distrito Outeiro. A primeira audiência sobre o PMSB ocorreu no dia 10 do mês passado.

Cerca de 200 pessoas, grande parte residente da ilha de Caratateua, estiveram presentes na audiência, que se iniciou por volta das 18h seguiu até por volta das 22h. A abertura dos trabalhos técnicos foi feita pela presidente do Programa de Saneamento da Bacia da Estrada Nova (Promaben), Luciana Vasconcelos, seguida da palestra sobre o PMSB proferida pelo consultor do Consórcio Egis-Ampla, engenheiro Valério Vinagre.

“A reunião foi excelente. Tivemos uma expressiva participação da comunidade, o auditório quase lotado, e isso é muito importante ao plano, pois se trata de um instrumento de participação popular”, destacou Luciana Vasconcelos. Após a palestra, foi composta a mesa técnica de discussão do Plano de Saneamento e em seguida mais de 30 representantes da comunidades tiveram a oportunidade de apresentar questionamentos relacionados ao tema.

Intervenções
Moradora da área da Taboquinha, em Icoaraci, Elizete Napoleão, 42, apontou ações educativas como caminhos para uma cidade mais limpa e sem maiores impactos em período de chuvas intensas. “Temos a Prefeitura que vem, junta o lixo, e aí muitos moradores, novamente, jogam o lixo em via pública. Minha colaboração aqui é de que as pessoas evitem de jogar os resíduos no meio da rua, porque quando vem a chuva leva direto para o canal e aí depois o próprio morador reclama”, disse a funcionária pública.

“Temos pouquíssimas cooperativas fazendo a reciclagem, a coleta seletiva dentro do distrito. Acho que devemos educar a população a tratar o lixo da comunidade como resíduos sólidos, e assim podemos trazer recursos e investimentos a várias famílias que dependem disso”, destacou Alessandro Corrêa, 27, morador de Outeiro.

Tiago Fernandez, 28, mostrou a preocupação com o trabalho educativo das comunidades das ilhas. Para ele, todo o resíduo produzido em Outeiro deve permanecer no distrito em forma de beneficiamento e ações preventivas de educação. “Como esse lixo pode ser revertido para se transformar em trabalho educativo direcionado às crianças?”, questionou.

“A forma que podemos aproveitar os resíduos produzidos na ilha é aumentarmos a forma e o número de atendimentos de coleta seletiva e reciclagem em associações com cooperativas. Precisamos organizar essas atividades e sermos mais presentes junto a elas”, respondeu Antônio Noronha, do Promaben.

Além da equipe técnica do Promaben, estiveram presentes na segunda audiência pública do PMSB a secretária municipal de urbanismo, Anette Klautau; o diretor presidente da Agência Reguladora Municipal de Água e Esgoto de Belém (Amae), Bruno Hachem; os agentes distritais de Outeiro e Icoaraci, Yan Miranda e Edson Souza; Renata Maneschy, assessora técnica da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa); representantes das Secretaria Municipais de Saneamento (Sesan) e de Saúde (Sesma); o titular da Companhia de Desenvolvimento e Administração da Área Metropolitana de Belém (Codem), Danilo Soares; e Marília Éleres, da Procuradoria Geral do Município (PGM). O vereador Rildo Pessoa (PT do B) representou a Câmara Municipal de Belém.

Denúncia
Em sua intervenção, o biomédico Dorivaldo Ferreira, 54, pediu que fosse registrada uma denúncia. Segundo ele, a comunidade do bairro Brasília ingere, há mais de dez anos, água com alto teor de ferro. A concentração do metal teria sido identificada por meio de pesquisas, o que viria ocasionando problemas gastrointestinais e haveria até registros de câncer no intestino. “Vocês sabem dessa situação?”, questionou ele, que preside do Sindicato dos Biomédicos do Estado do Pará. A representante da Cosanpa disse que medidas serão adotadas em resposta ao fato relatado. O alerta passou a constar do diagnóstico do PMSB.

Dezenas de perguntas foram respondidas pelos integrantes da mesa técnica. A maior concentração de questionamentos esteve relacionada à distribuição e à qualidade de abastecimento de água, os quais foram esclarecidos pela representante da Cosanpa, Renata Maneschy.

Para Antônio Noronha, assessor de saneamento da Prefeitura de Belém, a audiência pública ocorrida na Funbosque marcou pelo envolvimento dos moradores com a apresentação de propostas e questionamentos referentes à elaboração do Plano.

“A audiência atendeu ao planejamento previsto, pois contou com a participação ativa da sociedade. A partir de então, nós teremos um prognóstico, pois teremos um levantamento técnico, mas também sob o ponto de vista da sociedade”, considerou. “A próxima etapa é estabelecermos as medidas a serem adotadas em função do que foi diagnosticado em audiência”, completou Noronha.

Autor: Sérgio Chêne.
Fonte: Rede pará.