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Resíduos que vão parar em aterros sanitários podem virar energia limpa

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O Brasil desperdiça resíduos sólidos que poderiam gerar energia limpa, mas, ao invés disso,
abarrotam aterros sanitários, contaminando preciosos mananciais de água doce. Mais de um
terço do que é produzido no país, cerca de 35%, poderia ser queimado em usinas com os
devidos filtros para evitar a emissão de gases de efeito estufa, gerando eletricidade e dando
uma solução aos lixões.

O processo, chamado Waste-to-Energy (WTE), faz a recuperação energética de resíduos e já é
uma realidade em vários países, com mais de 2 mil usinas em operação no mundo. Concebida
para apoiar políticas e tecnologias capazes de dar um destino mais útil para o lixo, a Associação
Brasileira de Recuperação Energética de Resíduos (Abren) foi lançada oficialmente em
setembro de 2019, justamente para incentivar o WTE no país. Uma única usina foi
recentemente instalada, em Barueri (SP).

O presidente executivo da Abren, Yuri Schmitke, destacou que o Brasil tem desperdiçado
resíduos que poderiam servir como combustível para a produção de energia. “Como não há
aproveitamento, o material vai parar em aterros e há risco de contaminação da água potável”,
explicou.

Apesar de gerarem energia a partir da queima, as usinas de WTE utilizam tecnologia e filtros
potentes, para reduzir a emissão de gás carbônico (CO2), disse Schmitke. “O ar que sai das
usinas após a queima é mais limpo do que o da cidade de São Paulo”, garantiu. Além disso, o
metano dos aterros tem potencial de causar efeito estufa 25 vezes maior do que o CO2.
Segundo o presidente da Abren, a ordem natural para os resíduos deveria ser: reciclagem,
compostagem (decomposição de material orgânico para uso como fertilizante), recuperação
energética e, em último lugar, o aterro sanitário. No Brasil, no entanto, há pouco incentivo
para um dos elos da cadeia, o WTE, que, além de produzir energia elétrica, ainda reduz o
volume de rejeitos que acabariam nos aterros. “Para isso, as usinas de WTE precisam de tarifa.
O mesmo valor que é cobrado hoje para o aterro, de R$ 80 a R$ 100 por tonelada”, defendeu.
Dados da associação apontam que o Brasil produz 80 milhões de toneladas de resíduos por
ano e apenas 4% são destinados a reciclagem e compostagem. “O potencial é reciclar 35% e
incinerar 35% para produzir energia (WTE). Isso garante um aproveitamento de 70% . Dos 30%
restantes, o material orgânico pode ser utilizado para produção de biogás. Sem desperdício
nenhum”, destacou.

Autor: Blog Correios Braziliense.
Fonte: Correios Braziliense.