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Tecnologias de tratamento de efluentes: como escolher?

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São diversas as tecnologias para tratamento de efluentes, sendo possível classificá-las em
grupos distintos: sistemas passivos e intensivos, biológicos ou físico-químicos, compactos ou
extensivos, naturais ou mecanizados são algumas das divisões possíveis. Em termos
qualitativos podemos afirmar que todas elas são adequadas ao tratamento de efluentes, não
sendo passível segregá-las entre "boas" e "más". A melhor tecnologia de tratamento será
aquela que melhor compatibilizar-se com os condicionantes e critérios do contexto sócioambiental, técnico e econômico de aplicação.

Conforme recomenda a ABNT NBR 12.209/2011 (Projeto de estações de esgoto sanitário), a
seleção de uma entre as diversas tecnologias disponíveis, deve ser realizada com base em uma
análise multicritérios que leve em conta, em resumo, os seguintes aspectos:

Intensidade da rotina operacional (controle diário / controle semanal / controle quinzenal)
? Consumo energético (aeradores, bombas de recirculação, elementos eletromecânicos)
? Geração de subprodutos (lodo, escuma, odores, gases)
? Custo operacional (reúne os itens acima)
? Sensibilidade a problemas/falhas operacionais (descarte de lodos, limpeza de
equipamentos, troca de equipamentos, interrupção de energia, falha na dosagem de
produtos químicos)
? Confiabilidade do processo em atender os objetivos de tratamento (legislação
ambiental, água para reúso)
? Impacto sócio-ambiental (estética, apropriação da comunidade, percepção do usuário
sobre a ETE, odores, proliferação de vetores, ruídos)
A maior parte dos problemas com paralisação, desativação e baixa performance das estações
de tratamento de efluentes implantadas no Brasil está relacionada ao descuido e
desinformação quanto aos critérios de seleção acima elencados, problema muito frequente
em estações de tratamento de esgoto implantadas em pequenos municípios brasileiros e/ou
em sistemas não residenciais de baixa vazão.

Para efluentes domésticos, com equivalência populacional da ordem de até 20 mil habitantes,
as tecnologias de tratamento de efluentes devem, comumente, serem selecionadas conforme
aspectos de simplicidade operacional, baixos custos de implantação, operação e manutenção,
tratamento local do lodo, e, possivelmente, o mais importante, a percepção da comunidade
sobre o sistema de tratamento. Para este contexto a tecnologia wetlands construídos, além da
simplicidade operacional e eficiência comprovada (alcança concentrações finais de DBO
inferiores a 25 mg/L) apresenta importante vantagem dada a possibilidade de configurar-se
como um ícone de sustentabilidade e paisagismo.

Os sistemas wetlands construídos são uma das únicas tecnologias de tratamento de efluentes,
passiva e biológica, que permitem uma interação harmoniosa com as áreas e comunidade de
entorno. A presença da vegetação no sistema e a ausência de odores, ruídos e aspectos
visualmente desagradáveis transforma o olhar dos usuários sobre o tratamento dos esgotos e
contribuem para formação de uma cultura de educação ambiental.

Apesar de todas as vantagens os wetlands construídos são uma tecnologia de tratamento
extensiva, exigindo portanto maiores áreas de implantação. Para casos onde haja limitação de
área, este critério deve ser ponderado na análise multicritérios para escolha da solução mais
assertiva.

Como se vê, a melhor tecnologia não será a mais barata, a mais eficiente, a mais simples ou a
mais difundida, mas aquela que melhor atender os diversos condicionantes locacionais.
“Ainda que o lado econômico seja fundamental, (...) nem sempre a melhor alternativa é (...) a
que apresenta o menor custo em estudos econômico-financeiros. (...) deve-se buscar um
equilíbrio entre os diversos aspectos, vinculados à realidade em foco.” (Von Sperling, 2014, p.
353)

Autor: VON SPERLING, Marcos..
Fonte: wetlands.